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ENTRE TESTEMUNHOS E CONCEPÇÕES, PARABÉNS, PROFESSORA E PROFESSOR!!!

ENTRE TESTEMUNHOS E CONCEPÇÕES, PARABÉNS, PROFESSORA E PROFESSOR!!!

Data de Publicação: 15 de outubro de 2021 10:04:00
Por Marcos Aurélio Ruy Neste Dia da Professora e do Professor – 15 de outubro – o Portal CTB perguntou aos docentes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, e outros, qual é o papel do magistério nestes tempos de ataques vis à educação e infâmias contra as professoras e professores.

FONTE:  PORTAL CTB

Com mais de 80% de mulheres, são quase 3 milhões de profissionais espalhados pelo país. Todas e todos sentem na pele diariamente a falta de recursos destinados às escolas públicas, sofrem com os baixos salários e com o descaso com a educação, mas resistem, insistem e o país agradece todos os dias.

Alguém consegue imaginar um país sem escolas, sem professoras e professores? Impossível.

As respostas dadas mostram a disposição dessa categoria fundamental para qualquer nação. Mostram a vontade de superar as mazelas de governantes que desrespeitam o magistério como método de impedir o desenvolvimento de uma educação emancipatória e liberadora.

Vamos às respostas:

Arielma Galvão dos Santos é secretária-adjunta de Políticas Educacionais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

Para falar sobre o papel da professora e do professor em tempos de Bolsonaro, é importante citar Paulo Freire (1921-1997) em seu centenário. Ele diz que não existe imparcialidade, que todas as pessoas são orientadas por uma base ideológica. A questão que está posta, portanto, é se a nossa base ideológica é inclusiva ou excludente.

A partir dessa fala de Paulo Freire, quero dizer que a primeira posição da professora, do professor é tomar posição neste momento em que o governo Bolsonaro prega o ódio, fomenta a morte.

Tomar posição significa ser a favor da vida, da educação. Significa estar em movimento de luta contra a retirada de direitos da classe trabalhadora e do povo brasileiro. Significa estar em luta contra a PEC 32 que destrói o serviço público.

No caso da educação, temos mazelas que são históricas, mas houve um aprofundamento na pandemia. Nesse período, vários coletivos de educação ajudaram a salvar inúmeras vidas e nós precisamos continuar a política de vínculos com o nosso povo, com as comunidades escolares.

O nosso povo tem fome de conhecimento, mas também tem a fome que faz o estômago roncar nos lares das comunidades escolares. Precisamos fazer a política de reflexão com a comunidade sobre quantos direitos perdemos nesse governo do ódio, da fome e da morte. E concomitantemente a essa reflexão, fazer ações solidárias, pois com a fome nossos corpos têm dificuldade de refletir e de lutar.

Precisamos compreender também que a educação é formada por maioria de mulheres, pela população negra, então não dá para falar de forma generalizada. É preciso dialogar com os marcadores que atravessam a educação e, portanto, dialogar com a diversidade. Essa compreensão nos faz refletir sobre as nossas linguagens, posturas e quais os instrumentos de políticas públicas vamos fortalecer.

Devemos refletir sobre qual a formação que temos e qual a formação que queremos e nos rebelar por dentro, valorizando o currículo local, as potências das comunidades, dos territórios, das regiões, do nosso país. Valorizar a democracia e continuar lutando pela vida, pela igualdade, pela equidade. São inúmeros desafios, mas precisamos seguir lutando coletivamente e colaborativamente.

Berenice Darc é secretária de Relações de Gênero da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

Nestes tempos duros, nunca foi tão fundamental a existência da professora e do professor. A escola tem um papel essencial contra o atraso, contra as discriminações, contra a política do ódio e da depreciação da vida humana.

O nosso trabalho se torna central para a resistência e para a defesa do respeito ao bem maior, ao bem coletivo, ao bem público. Com isso, manter a visão de um Brasil feito de solidariedade, de paz, de amor, de dignidade para resgatar os olhares de seres humanos que somos.

A escola precisa trabalhar a inclusão e mostrar às pessoas que a realidade que vivemos atualmente pode ser suplantada. O mal não dura para sempre, mas para vencê-lo é necessário tenacidade. Mostrar que a fome que está batendo à nossa porta não é natural. É sim fruto de uma política errada, contra os interesses do país e do povo.

Lutar contra a liberação de armas. Defender a vida, a panela cheia, o trabalho decente, moradia digna e o serviço público valorizado. E mais recursos para a educação, a ciência, a saúde, a cultura, o esporte, enfim tudo o que faz a vida melhorar.

Carlos Zacarias de Sena Júnior é professor do Departamento de História da UFBA

A tarefa do professor em primeiro lugar é sobreviver à pandemia. Já ultrapassamos os 600 mil mortos, inúmeros professores e pessoas próximas. Os professores estão na linha de frente agora, como os médicos, os enfermeiros e técnicos, os trabalhadores da saúde.

Sobreviver e saber de que lado da história ele está, não se intimidar diante das pressões, dos desafios, que para os professores sempre forma muito grandes e agora são ainda maiores e atravessam essa temporada infausta, essa triste temporada que vivemos, estes tempos sombrios é uma necessidade.

Os professores têm um desafio imenso que é ensinar seus alunos que os tempos como outrora, se eram também tristes, foram transformados pelas mãos dos homens e mulheres. Estes tempos, portanto, também não vão se eternizar porque vamos sobreviver para continuar ensinando, continuar educando e sonhando co um país onde a justiça social e a democracia prevaleçam.

Claudete Alves é presidenta do Sindicato dos Educadores da Infância de São Paulo

O nosso papel é o de resistir e lutar muito para mudar essa conjuntura perversa e construirmos uma educação onde prevaleça a liberdade, o afeto e a inteligência. Para isso é fundamental desobedecer o que determina o Ministério da Educação e beber diuturnamente os escritos de Paulo Freire.

Francisca Rocha (Professora Francisca) é secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp

Somente com uma educação de qualidade, inclusiva e democrática é que se combate a ignorância, a mentira, as fake news, tão perniciosas para o nosso desenvolvimento. Não à toa, o atual presidente corta verbas do orçamento do Ministério da Educação e ataca as professoras e professores.

Por isso, é fundamental a luta pela valorização profissional das professoras e professores de todo o país. É essencial lutar por uma formação permanente, por um plano de carreira e salários e condições de trabalho adequadas para melhorar inclusive o quadro de saúde do corpo docente. Mais educação, com professoras e professores valorizados e respeitados.

As professoras e professores, com todo o seu amor à profissão, representam a vontade de superação da crise. De uma crise dos ricos, sob os ombros dos pobres. São quase 3 milhões de profissionais que diariamente vencem o desprezo pela educação e permitem que as filhas e os filhos da classe trabalhadora sonhem com dias melhores.

Helmilton Beserra é presidente da CTB-PE

Em tempos de negacionismo, a resistência, e a produção e reprodução do saber científico e filosófico viraram a arma principal do professor. Resistência é a realidade do professor nesses tempos tão sombrios de negação da ciência. A sala de aula, o currículo e as relações no ambiente da escola, precisam desse permanente desejo de fazer da escola o espaço de produção do conhecimento científico e filosófico.

Heloísa Gonçalves de Santana é secretária da Mulher Trabalhadora da CTB-SP

Nestes tempos sombrios que estamos vivendo, os professores estão no centro das atenções, sujeitos à demissão caso exprimam suas ideologias no trabalho pedagógico e são acusados de doutrinação, fruto da lei da mordaça que vigora hoje nas escolas públicas do país.

Se o chão da sala de aula é um espaço para o debate de ideias, a escola sem partido impede o pluralismo dando voz apenas ao pensamento conservador e dominante desse governo fascista que aí está.

Dessa forma, a educação não avança em questões contra a violência da mulher e à população LGBTQIA+, contra os negros e indígenas, enfim contra todo o preconceito e discriminação que enfrentamos nesta sociedade. O nosso papel é proporcionar um ambiente escolar propício à transformação.

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